em 22/02/2005
6 – AS CRONOLOGIAS
Muitas vezes a gente encontra coisas que não sabia que existiam, mas que são absolutamente necessárias. Por exemplo: eu já vi muitas respostas em sessões de cartas explicando as revistas onde saíram as histórias de Conan, Sonja e Kull. Mas só uma vez vi menção à GHM 13, com Sonja. Eu consegui esta edição por acaso, procurando formatinhos antigos.
Mas o que isso tem a ver com cronologias? Bem, há três matérias mais conhecidas sobre cronologias comentadas de personagens de Robert Erwin Howard: a grande (e incompleta) cronologia de Conan, publicada em CB 48 a 59; a de Sonja, publicada em CS 14 (aliás, a edição de Sonja que citei acima só é mencionada nesta matéria); e a de Salomão Kane, publicada na ESC 134. Faltou alguém importante, não é mesmo? E a cronologia de Kull?
Aí voltamos ao assunto anterior. Nunca foi mencionado por nenhum editor que foi publicada uma história de Kull na pré-histórica revista Aventura & Ficção 4 (exceto por um pequeno comentário nos Pergaminhos Hiborianos da ESC 35). Pois nessa mesma edição há uma matéria ótima sobre a carreira do Atlante, citando suas maiores aventuras publicadas. Infelizmente, como não haviam sido publicadas muitas histórias de Kull até então, não há referências de onde estas foram publicadas. Algumas só estrearam aqui muitos anos depois (certamente ainda há muitas história inéditas ainda hoje). Esta revista eu também adquiri por acaso, procurando ESCs. Mas o que seria de mim se, por acaso, Kull não estivesse na capa?
7 – "CONAN": O SIGNIFICADO
Todo nome tem um significado. O meu, "Ricardo", significa "poderoso senhor". Eu vi num livro de nomes para bebês... Nada a ver. Minha mãe escolheu porque viu na televisão. É óbvio que "Conan" também deve ter um significado. Iniciei uma pesquisa em dicionários de Português, mas desisti, pois a palavra deve ter origem diversa do latim, grego ou árabe (principais línguas do velho mundo que formaram nosso idioma)... e também porque algumas palavras começadas com "cona" tem algo a ver com órgãos sexuais femininos... Estranho...
O jeito foi apelar para as histórias. Há duas referências a respeito: na história "O feiticeiro de Zíngara" (ESC 93, página 39, último quadro) é dito que "Conan" significa "leão". Provavelmente o argumentista (ou o tradutor) se enrolou com a denominação "Amra", pseudônimo de Conan como pirata, esta sim representando o poderoso felino. O mais provável é que se trate de um deslize.
Há outra menção a respeito na história "Na Torre de Ferro" (ESC 116). Ao saber o significado do nome de uma dançarina, Conan informa que seu nome quer dizer "um ouvinte ansioso", combinando com o nome da moça, Trommelind, que significa, em nemédio, "cada tatuagem conta uma história" (a gata tinha o corpo coberto de tatuagens). O mais provável é que ele tenha inventado isso para conquistar a gostosona. Funcionou.
Fica difícil, nesse caso, ter uma idéia do significado real da palavra. Você, como eu, também já deve ter lido em algum lugar sobre diversos personagens históricos com nome igual ou parecido ao do Cimério que poderiam ter influenciado seu criador. Certamente, apenas REH poderia responder a esta questão com certeza.
8 – GERAÇÕES
Aproveitando o assunto dos nomes: qual era o nome do avô de Conan?
Na cronologia comentada, logo no início (CB 48), é citado que o nome seria Corum. Mas em "O Dia da Maturidade" (ESC 130, página 16, último quadro) fica claro que o nome do pai do pai do Bárbaro também era Conan... Sem contar que há o ancião Drogin, em "A voz de alguém há muito perdido" (ESCOR 12), que também é avô de Conan, mas que provavelmente é o pai de sua mãe, já que seu avô parteno teria morrido no dia em que o Bárbaro nasceu.
Os detalhes sobre a família de Conan nunca foram esclarecidos a contento. Vejamos se Kurt Busiek resolverá esta situação (os nomes escolhidos para os pais do Bárbaro já são completamente diferentes...).
A propósito: já perceberam que as gerações da linhagem de Conan se alternam em aventureiros sem pátria e líderes fixos? O avô de Conan, após conhecer o mundo, fixou-se na vila onde o Bárbaro nasceu, no norte da Ciméria, vindo de um clã mais ao sul. Constituiu família e seu filho, o pai de Conan, se tornou o ferreiro local, lá permanecendo até sua morte. Aí veio Conan, que virou o mundo hiboriano de pernas para o ar. Já seu filho, Conn, assumiu o trono após o inquieto Cimério partir em busca de novas aventuras. Conn, certamente, governou com sabedoria até o fim da vida. No entanto, a linhagem guerreira de Conan não deve ter permanecido muito tempo no trono da Aquilônia, pois, de acordo com as Crônicas Nemédias, a poderosa nação seria subjugada posteriormente. Provavelmente, o eventual primogênito de Conn, neto de Conan, negligenciou sua obrigação de assumir o trono e partiu mundo afora, seguindo os passos do avô e, quem sabe, querendo conhecer suas raízes cimérias. O trono deve ter ficado para algum fracote parente de Zenóbia...
9 – STRABONUS MAGUS
O poderoso e odiado rei de Koth, que governou a nação por quase toda a carreira de Conan, enfim, foi morto pelo Cimério em CR 4, página 17. Não há o que discutir, pois esta é a adaptação de um original de Howard.
No entanto, o velhote reaparece na história "Justiça noturna" (CR12, página 27), anos depois. Um puta erro de James Owsley, roteirista da história (adaptada de um argumento original de Alan Zelenetz e Marc Silvestri).
Ele só levou em consideração que o avarento monarca era um personagem importante na saga ocorrida entre CB 23 e 38, ligada em parte ao arco de CR, numa espécie de continuação, décadas depois. Um deslize imperdoável, diga-se de passagem. O que deveríamos supor? Que Strabonus foi ressuscitado? Que obteve o dom da imortalidade? Que era um dos inúmeros magos difíceis de matar que Conan já enfrentou? Que era parente do Fafnir? Não... o velhote foi morto por Conan e assim deveria ficar.
10 – ILUSTRE DESCONHECIDO
O que esta charge tem a ver com as histórias de Conan?
[FIGURA: charge_thumb.jpg; LINK PARA OUTRA PÁGINA: Charge Napoleão.jpg; COMENTÁRIO: "Clique para ampliar"]
Ela foi tirada da sete vezes premiada "Graphic Trapa" Didi volta para o futuro, um especial das antigas histórias em quadrinhos dos Trapalhões (que satirizava a série "De volta para o futuro" - tem algum nostálgico aí?), do início da década de 90 do século passado, época em que todo mundo (Xuxa, Gugu, Faustão, Sérgio Mallandro, Leandro & Leonardo, Chaves & Chapolin, etc.) foi transportado para o mundo dos quadrinhos (acho que esse foi o motivo do declínio do setor, desde então...). Esta charge mostra a equipe de desenhistas que trabalhou na obra: da esquerda para a direita, em pé, Marcelo Cassaro, Watson Portela e João Anselmo; no chão, Gustavo Machado e Napoleão Figueiredo. Acho que você deve ter reconhecido um nome, né?
Sim, refiro-me a Napoleão Figueiredo, que emprestou suas cores mágicas a diversas artes de capa de Conan (CS 12, CS 14, ESC 144, ESC 148, ESC 150, ESC 153, ESC 155), que, na minha humilde opinião, figuram entre as melhores de todos os tempos, rivalizando até com Norem & Cia.
Fica registrada a minha homenagem a esse fabuloso artista... e você pode conhecer (mais ou menos) a cara de um dos magos que trabalharam em parte da sua coleção.
REFERÊNCIAS
CB: Conan, o Bárbaro – antiga série da editora Abril
CS: Conan Saga
ESC: Espada Selvagem de Conan
ESCOR: Espada Selvagem de Conan em Cores (Conan em Cores)
GHM: Grandes Heróis Marvel – Antiga série da editora Abril
Se você tem outras curiosidades, não guarde só pra você! Faça um texto legal e envie pro Alessandro ou pro Osvaldo. Ou então me dê a dica: ricardo.medeiros@brb.com.br ou r0293113@aluno.unb.br (se enviar algum anexo). Ler Conan não é só buscar aventuras... é se divertir com os detalhes também.