em 27/01/2005
Poucos artistas conseguiram atingir o grau de soberbia vitalidade e energia que este nova-iorquino soube colocar em seus trabalhos. Mais ainda, ele influenciou a todos os grandes ilustradores das últimas décadas, gente como Boris Vallejo, Luis Bermejo, Joe Jusko, Royo, Redondo, Shulz e Norem. Não é pouca coisa.Foi com as capas feitas para a revista Famous Funnies, lá pelos anos 50, que Frazetta começou a impor o padrão estético que viria a ser sua marca registrada. Mas, antes disso, ele já tinha feito o percurso comum dos desenhistas de histórias em quadrinhos.
Pelo que se sabe, Frazetta desenhava desde criança. Seu treinamento “formal” começou aos 8 anos, no ateliê dum italiano chamado Michael Falanga. Na “escolinha” os garotos adquiriam noções básicas de pintura, retrato e escultura em argila. Eram horas e horas estudando o Davi de Michelângelo ou a Vênus de Milo. Apesar de todo esse banho de cultura artística, Frank só estava interessado em fazer quadrinhos. Era aí que o dinheiro rolava e gente como Al Capp e Milton Caniff podiam comprová-lo.
Suas primeiras influências na arte seqüencial foram Hal Foster, Elsie Segar e Jack Kirby. Nessa época foi trabalhar a Standard Publications. Aí, o diretor de arte Ralph Mayo, emprestou-lhe dois livros de anatomia para que corrigisse algumas deficiências. Frazetta foi para casa e entusiasmado estudou todo o material numa noite! A partir desse dia seu trabalho cresceu em qualidade. Tanto que a Standard encarregou-lhe a história Dan Brand & Tippy. Enquanto muitos artistas sofrem para descobrir os segredos da arte seqüencial, Frank parecia ter nascido com aquelas habilidades. Seu domínio da perspectiva e da composição era assustador. Desenhava tendo como único elemento de apoio a própria imaginação, quando a norma era procurar elementos de referência.
Após Dan Brand & Tippy, Frazetta mudou-se para a EC, onde fez capas para Famous Funnies e Weird Science Fantasy. Em 1952 mudou-se para o Mc Naught Syndicate onde desenhou a tira Johnny Comet, que foi cancelada um ano depois. Após a desastrada experiência com Johnny Comet, Frank foi trabalhar no estúdio de Al Capp. Por um salário de 500 dólares semanais ele passou 9 anos desenhando a página dominical de Li´l Abner. O acordo terminou quando Capp, um déspota com seus desenhistas, decidiu arbitrariamente reduzir-lhe o salário. E aí começou o drama.
Embora estivesse trabalhando para o mercado de quadrinhos, Frazetta como artista estava sumido. E, pior, após de anos desenhando, tinha esquecido como arte-finalizar. Tentando recuperar seu espaço procurou o pessoal da DC, MAD, e EC, sem resultados. George Evans foi o único a dá-lhe trabalho. Mais tarde, Harvey Kurtzman encomendou-lhe alguns trabalhos de Annie Fanny. Foi então que um pôster de Ringo Starr, feito por encomenda para a MAD, chamou a atenção do pessoal do estúdio cinematográfico United Artist. Seu primeiro trabalho para eles foi o pôster do filme What´s New, Pussycat? Repentinamente, Frazetta se viu com mais serviço do que podia dar conta. E em cada trabalho para United Artist ele ganhava mais que em um ano fazendo quadrinhos!Em 1964, Frazetta conheceu Jim Warren, dono e diretor do magazine Creepy. Pelo acordo com Warren, ele teria total liberdade artística. Foi então que ele fez Sea Witch, Egyptian Queen e Vampirella.O pagamento era uma mixaria, mas Frazetta estava à vontade. O acordo durou até 1972, quando Creepy faliu. Nos anos seguintes, Frazetta se afastou dos quadrinhos e passou a expor suas pinturas. Fez trabalhos de ilustração por encomenda e ganhou muito dinheiro.
Em 1986 teve problemas hormonais relacionados com a tiróide. Perdeu a vontade de viver e de desenhar. Seu peso corporal de 76 quilos foi para 60. O calvário durou 8 anos nos quais Frazetta perambulava de clínica em clínica procurando uma cura para a doença. Finalmente, voltou a ser uma pessoa normal. Voltou à prancheta de desenho.
Conhecido pelo enorme talento no desenho da figura humana, Frazetta tem um conceito de força que foge ao padrão estético dos desenhistas contemporâneos. Para ele, a força reside nas coxas, nas nádegas, no tronco quadrado (não triangular), nos tríceps e nos antebraços. E é fácil entender tal conceito quando vemos os homens desenhados por ele, transmitindo uma sensação de força e potência explosiva que dificilmente o ‘marvel style´ conseguiria.No desenho das formas femininas, Frazetta prefere mulheres carnudas e voluptuosas, mais para Marilyn Monroe que para Cindy Crawford. “É esse tipo de mulher que mexe com nossas fantasias”.
E na hora de trabalhar uma ilustração, ele começa pelo cenário. Só depois é que encaixa a figura humana dentro dele. Assim o desenho fica mais realista, com a personagem num cenário e não ao contrário, com o cenário acompanhando a personagem. Podem parecer detalhes insignificantes do afazer de um artista, mas quando vemos seu trabalho e o comparamos com o de outros, hoje com mais fama que ele, entendemos que a qualidade se consegue com esses pequenos detalhes.
![]() | A Rainha Egípcia (The Egyptian Queen) Esta ilustração é um bomexemplo de como Frazetta trabalha temas românticos conseguindo imprimira eles sua própria visão do mundo. Abandonando o padrão neo-clássico defiguras estáticas e lânguidas, o artista escolheu um momento dramático.Já de cara, é a rainha -uma voluptuosa mulher de seios fartos ebarriguinha sensual -apoiada no pilar, que rouba nossa atenção. Oleopardo, intimidante, e o homem da espada - provavelmente um eunuco-sugerem a tensão do momento. Frazetta teve algumas dificuldadesquando realizou este trabalho que foi capa da revista Eerie # 23. Aprimeira versão dele apresentava a rainha com um olhar de medo, masFrazetta não gostou do resultado. Finalmente, o ‘mestre´ conseguiu darà rainha uma expressão sutil em que se misturam a altivez, a dignidadee medo que começa a aflorar. É, sem dúvida, uma ilustração de enormeimpacto emocional. |
![]() | A Caçadora (The Huntress) A Caçadora explica porque Frazetta éum ilustrador de fama mundial. Neste trabalho estão seus elementospreferidos: voluptuosas mulheres e felinos selvagens. Só que asmulheres que ele desenha não têm nada a ver com as fêmeas magérrimasque povoam os pin-ups hoje em dia. Elas são estonteantes,incomparáveis, selvagens. Ao pintar os tigres dentes-de-sabre, oartista se preocupou em retratar a energia vital dos felinos, asuavidade de seus movimentos e o potencial para rápida ação violenta. Acaçadora, originalmente feita para ilustrar um livro de Edgar RiceBurroughs, teve várias etapas. Uma primeira versão mostrava-a com ostigres enquanto olhavam para um pterodáctilo avançando sobre eles.Outro rascunho mostrava dois tigres descansando num primeiro planoenquanto um terceiro rugia ao fundo. Houve outro sketch mostrando acaçadora de costas, mas Frazetta abandonou a idéia por considerá-laprovocante demais. Na versão final, ele decidiu eliminar todos osdetalhes do cenário, concentrando-se nas expressões. Após de olhar paraa ilustração, o leitor fica em dúvida. Estão os tigres atacando ou sedefendendo? Mais, ambos tigres são metáforas criativas, uma opinião deFrazetta sobre a natureza feminina. |
Fonte GrapHiQ (www.graphiqbrasil.com)

