em 06/11/2004
Ola caros fãs do Conan, estou enviando para conhecimento a resposta de uma crítica minha ao cabeçalho padrão do Conan o Bárbaro da editora Mythos, em que eu discordo do fato de Conan já idoso afirmar que viveu entre a desaparecimento da Atlântida e o surgimento dos Arianos ( que surgiram milhares de anos após a sua morte) e onde ele faz o convite "para sentar-se ao seu lado e ouvir como foram aqueles dias de grandes aventura", que só é possivel se for o fantasma do Conan que esta dizendo aquilo pois Conan, na época do surgimento dos Arianos, já estava morto segundo a própria cronológia e mundo fantástico de próprio Robert E. Howard e portanto não poderia afirmar nada sobre um povo que só apareceu após seu falecimento.
É interessante notar que o Fernado fala sobre a republicação da SSC em ordem cronológica desde nº 1, oque é uma boa notícia.
Um abraço aos responsaveis por um dos melhores sites do Brasil.
Bom dia!
Sou fã do Conan a muito tempo e tenho praticamente todas as revistas lançadas pela Editora Abril e pela Mythos, conhecendo assim alguma coisa sobre a trajetória do cimério no Brasil, por isso, gostaria de deixar aqui a minha insatisfação em relação ao cabeçalho utilizado pela Mythos na abertura das estórias do Conan.
Sempre achei o cabeçalho de abertura das estórias do Conan muito bom e realmente não entendi quando vocês resolveram mudar ele, a principio até me resignei e atribui isso ao fato da nova editora querer mostrar uma cara um pouco diferente e que por isso abriu espaço para inovações e resolveu dar alguns retoques na abertura. No entanto, ao ler a nova revista do Cimério vi o cabeçalho antigo lá (com a tradução um pouco diferente mais ainda assim semelhante ao da Abril) e vi que talvez vocês estivessem abertos a uma argumentação simples e que pode mostrar que aquele cabeçalho é totalmente incoerente. Vou citá-lo para a seguir fazer a argumentação (Conan o bárbaro nº 30 página 21):
"Saiba, ó Principe, que entre a época em que os oceanos tragaram a Atlântida e o período em que surgiram os filhos de Aryas, houve uma era jamais sonhada. Reinos esplendorosos espalharam-se pelo mundo, tal qual miriades de estrelas sob o firmammente. Dai vim eu, Conan. Um ladrão, um salteador, um implacável guerreiro, sempre pronto para subjugar os tronos adornados da Terra. Hoje, quando o fardo da idade pesa sobre os meus ombros, eu vos convidos a senta-se ao meu lado para ouvir como foram aqueles dias de grandes aventura"
Podemos concluir algumas coisas apartir daí, sendo que a primeira deles é que este é um texto que teve o final poeticamente adaptado, mas que eu como professor de História posso dizer que ficou absurdo (claro que a era hiboriana não existiu e que Conan é um personagem fictício).
O texto esta na primeira pessoa, e na sua primeira parte ele esta se dirigindo a um "Príncipe". Como esta narrando que a vida de Conan aconteceu depois do desaparecimento da Atlântica e antes do surgimento dos filhos de Arias, logicamente a pessoa que esta falando isso deve obrigatóriamente estar em uma época depois do surgimento dos Arianos (senão não teria como saber sobre o aparecimento deles) logo, não pode ser o próprio Conan, que morreu antes disso (Conan a Lenda está perfeita quanto a isso).
Na segunda parte ainda continua na primeira pessoa (mas se dirigindo agora a vários interlocutores) e deixa claro que é o próprio Conan que esta falando aquilo e que ele esta ainda vivo e já idoso, oquê torna o texto incoerente, pois como o Conan pode ter conhecimento do surgimento dos Arianos e dizer que suas aventuras aconteceram antes desta era (os Arias, Arianos ou Indo-Europeus são históricamente existentes) e ainda estar vivo para contar estas estórias? Não pode, só uma outra pessoa que viveu após a era de Conan poderia fazer aquela afirmação, acho que alguém resolveu dar uma "melhorada" da abertura e deixou ela inconsistente por isso peço que isto seja corrigido e deixado, se possível, de acordo com a revista Conan o Cimério, ou ao menos cronologicamente consistente.
Um abraço deste fã hiboriano!
Sílvio dos S. Pedroso (silvio.pedroso@brturbo.com)
Alegrete-RS
Caro Silvio,
Agradeço a msg e seu apoio ao nosso trabalho. Sobre a introdução das historias do Conan, o primeiro quesito que posso comentar e o que voce mesmo observou. Quer me parecer um absurdo protestar contra uma obra totalmente ficticia, tendo como base o fato de que ela seja "incoerente" com a HISTORIA...
O segundo quesito, sua comparaçao com o que a Abril adotava chega a ser irritante porque, desde o inicio, eu decidi que aqui o Conan receberia o tratamento editorial ADEQUADO, e nao seria uma revista com seleçao desordenada de material (e mal programada, pois ate as historias com ordem cronologica eram publicadas com "adaptações", cortes de pagina e alteraçao de desenhos para "parecerem" historias fechadas).
Alem disso, na Abril o ritmo de produçao nao permitia um controle de qualidade da traduçao. Entao, inumeros erros ou inadequaçoes eram ignorados.
Eu sei disso pois traduzi pra eles, e me incomodava profundamente o fato de, mesmo tendo sempre zelado pela qualidade e com um indice de erros de traduçao baixissimo, recebia uma quantidade menor de paginas que outros tradutores, que erravam grotescamente, mas acabavam sendo "premiados" com mais paginas do que eu. Quando me convidaram pra editar os titulos da Mythos, eu trouxe meu perfeccionismo pra ca, e nao aceito traduçoes do nivel que a Abril publicava. So no referido cabeçalho, que voce tanto gostava, ja havia um detalhe meio ridiculo (mas do qual voce nao sabia ate agora), que era a "proibiçao" de se traduzir que o Conan usava sandalias!!!! Calçados esportivos e que ele nao poderia usar, concorda? Porem, mesmo constando no texto de Howard a frase "sob seus pes calçados de sandalias", as sandalias eram "abolidas"...
E esse tipo de traduçao que voce acha que deveriamos usar? Entao, lamento, porque nao ha nenhuma chance. A obra original data dos anos 30, e se sobreviveu ate hoje, e porque tem merito e deve ser preservada e isso nos fazemos no texto introdutorio de Conan, o Cimério. Esse sim, e um pouco mais parecido porque o Busiek usou exatamente as mesmas palavras de Howard.
Portanto, nesse eu pude trabalhar com uma base confiavel e traduzi-la adequadamente, sem inventar adaptações. Ja no caso do Roy Thomas e outros roteiristas da Marvel, eles sempre tomaram a liberdade de adaptar muitos detalhes pois, sem isso, nao teriam historias suficientes pra ocupar os mais de 20 anos de quadrinhos do Cimerio. A introduçao que usamos em Conan, o Barbaro e dessas adaptaçoes, a qual encontrei na adaptação em quadrinhos do primeiro filme. Portanto, ao contrario do que voce julga, eu NAO INVENTEI esse texto, ele foi apresentado em um titulo Marvel. No entanto, gostei dele justamente porque era mais uma forma de mostrar que a nova revista NAO era da Abril, e adotei a essa versao. A proposito, se voce checar a abertura do primeiro filme, o texto esta ainda mais alterado o que e mais do que natural. A partir do momento que varios roteiristas diferentes trabalham com um determinado texto, a tendencia e que cada um o adapte da maneira como achar conveniente, seja para marcar o proprio estilo ou porque considera as outras versoes inadequadas.
Em suma, nosso trabalho editorial, enquanto eu for o editor, sempre sera diferente do que era feito na Abril. A linha editorial deles para o Conan, na minha opiniao, sempre foi equivocada. Todas as historias foram publicadas em absoluta desordem, e nao foram ordenadas nem quando a Marvel publicou a cronologia oficial de Jim Neal, que poderia ter sido um marco zero para a Abril organizar sua bagunça. Aqui, eu so estou publicando tambem as historias da Savage Sword em ordem porque as vendas do Conan hoje em dia nao sustentam mais um titulo com reediçoes. No entanto, quando chegarmos a Conan the Barbarian 116, ponto em que Roy Thomas se afasta dos roteiros, provavel que a gente pare um pouco com a cronologia da CTB e passe a publicar Savage Sword desde o inicio. Um amigo espanhol ja esta escaneando toda a coleçao da SSC pra mim, e, se tudo der certo, finalmente o leitor brasileiro vai poder ler ou reler essas historias ou na ordem original, ou, talvez, na ordem cronologica descrita pela Cronologia Oficial Hiboriana de Jim Neal e Thomas.
Diante de tanto zelo editorial, seria de se imaginar que os fãs incondicionais como voce nao devessem apoiar um trabalho tao desordenado como o da Abril, muito menos achar que devemos nos basear no que eles fizeram. Mas se essa e sua opiniao, voce tem direito a ela e eu so posso respeita-la. No entanto, seu protesto insinua que eles foram os beatos e nos, os profanos... e ainda por cima, sua base sao fatos historicos... entao, tudo bem, sua critica foi recebida e esta sendo respondida.
Repito que respeito essa opiniao, mas, editorialmente, eu zelo como um verdadeiro fanatico pela qualidade dos titulos do Cimerio, ao ponto de checar todas as traduçoes (ou traduzir eu mesmo, sacrificando noites e finais de semana), mesmo as que envio ao Carina (que mesmo conhecendo o personagem ha tantos anos tambem costuma errar), antes de mandar letreirar. E o simples fato de que aquele texto adaptado nao agrada somente a UM leitor (eu NUNCA recebi reclamaçoes alem da sua) nao e motivo suficiente para que eu altere qualquer aspecto de nossa linha editorial, nem mesmo um simples texto introdutorio que se tornou texto-padrao da revista. Considerando que no titulo de Busiek eu tenho os textos mais proximos da obra original, inclusive ao seu agrado, nao vemos nenhum equivoco ou absurdo em manter a versao adaptada pela Marvel (e nao "inventada" por mim) em Conan, o Barbaro.
Esse tipo de detalhe serve ate mesmo pra diferenciar os titulos Marvel dos atuais da Dark Horse. Afinal, como eu disse, ate hoje voce foi o unico leitor que reclamou.
Abraço,
Fernando (hq@mythoseditora.com.br)