em 20/02/2005
1 – O AUTOR DO PORTIFOLIO
O meu portifólio preferido de todas as edições de Conan é o que aparece no índice da ESC 3 e na última página de ESCOR 2. Até ampliei a arte e fiz um quadro enorme. Eu ficava imaginando quem seria o autor desta obra de linhas tão simples, mas que captam toda a expressão forte de Conan. Por mais que eu analisasse o trabalho, não conseguia identificar características marcantes de nenhum artista que eu conhecesse.
A dúvida perdurou até eu quase completar minha coleção da ESC. A penúltima edição que eu consegui (a última foi a ESC 59) foi a ESC 88, onde Conan fica covarde por meio de magia. E qual não foi minha surpresa ao ver, na página 38, último quadro, a arte de que tanto gostei. Lá ela estava bem detalhada, num quadrinho pequeno, que foi ampliado para se conceber o portifólio, perdendo os detalhes por causa da resolução e causando um efeito muito legal.
A charada foi solucionada: o desenho é de Garry Kwapizs com arte final de Ernie Chan (dois desenhistas que estão longe de ser meus preferidos).

[FIGURA: Portifolio1.jpg; COMENTÁRIO: “O fim de um grande mistério”]
Não dá pra não sentir a estranheza da situação: o portifólio que eu mais gosto retrata Conan num momento de fraqueza e desenhado por artistas de cujas artes eu não sou fã...
2 – A GÊNESE DE FAFNIR
Eu sempre me encuquei com o fato de Conan claramente já conhecer Fafnir quando eles se encontraram naquela galera, posteriormente afundada, em “Os deuses de Bal-Sagoth”(ESC 204). Onde ele teria se encontrado anteriormente com o vanir, já que eu havia acompanhado todas as aventuras anteriores (na fase Conan Classics da ESC) sem notar a presença do ruivo?
Só depois de reler algumas vezes, percebi que o guerreiro de barba vermelha aparece em “O demônio alado de Shadizar”(ESC 198, mais especificamente na página 30). É uma aparição tão rápida e sem atrativos que muitos achariam que o Fafnir que lá aparece é outro, até porque, supostamente, ele morre. Mas, como já sabemos, o vanir tem mais vidas que um gato...

[FIGURA: Primeira aparição e morte de Fafnir.jpg; COMENTÁRIO: “A primeira aparição (e a primeira morte conhecida) de Fafnir”]
3 – ALMANAQUES EM ORDEM INVERSA
Alguém já se perguntou por que o Almanaque de Conan 1 é datado de novembro de 1992 e o 2 é de julho de 83, quase 10 anos antes?
A resposta é simples e complicada ao mesmo tempo. No início da era de Conan na Abril foi publicada a quadrinização do primeiro filme. Pouco depois veio a idéia do Almanaque (comuns na época), pois Conan ainda não tinha revista própria e, acredito, seria um ótima estratégia para verificar a aceitação do público. Ainda não entendo bem por que, mas os editores resolveram lançá-lo como número 2, considerando a quadrinização como Almanaque número 1. Nada a ver.
A lacuna permaneceu até 92, quando novos editores também resolveram fazer um Almanaque do Bárbaro. Lançaram com o número 1, talvez com intenções de lançar outro título, mas que só ficou nesse mesmo. Tudo bem: a descontinuidade na publicação foi solucionada, mesmo que o objetivo não tenha sido esse.
4 – ESTRANHO ARCO DE CHAN
Eu nunca fui um super fã de Ernie Chan, mas sempre admirei sua produtividade. Ele desenhou muitas histórias, no entanto o que mais marcou sua obra foi sua sombria arte final sobre o lápis de outros artistas. Apesar de ser defensor absoluto da arte final de Tony deZuñiga, não posso negar: Chan já marcou a história das publicações do Cimério como o maior artefinalista de todos os tempos.
Agora imagine uma situação altamente inusitada: Ernie no lápis e a arte final a cargo de outro artista. Difícil de acreditar? Eu também fiquei meio incrédulo quando li a seqüência de aventuras do rei Kull em CB 29 a 34. A arte do filipino é finalizada por diversos artistas: Rick Hoberg, Yong Montaño, D. Castrillo, Rudy Nebres, Ricardo Villamonte. Ele só finaliza a na aventura “A criatura e a coroa”(CB 34), onde trabalha sozinho.

[FIGURA: Chan.jpg; COMENTÁRIO: “Momento histórico: Ernie Chan finalizado por outro artista!”]
Sinceramente, fiquei muito espantado com esta mudança brusca. Não lembro de nenhuma outra história, além desta seqüência fora do comum, em que Chan desenha e outro finaliza.
5 – ERRAR É HUMANO (E DIVERTIDO)
Só alguém que não tem o que fazer pra ficar prestando atenção em pequenos erros dos outros... Mas os grandes não dá pra ignorar, né?!
De todas as histórias de Conan, aquela onde eu encontrei mais erros na arte, verdadeiros vacilos, foi “As três mortes de Conan” (ESC 163). O artista: Gary Kwapizs. Estranhamente, esta é a melhor história desenhada por Gary de todos os tempos na ESC. Na história há um feiticeiro que tem uma das mãos deformada, como se tivesse sido trocada com um demônio. Gostei muito da história, mas, certa vez quando a reli, percebi que o bruxo alternava a mão demoníaca: ora era a direita, ora era a esquerda. Há até momentos em que ambas as mãos estão normais! Confira e verá.
Mas não podemos recriminar o pobre Kwapizs por estes erros... Sabe quem também errou feio muitas vezes? Ninguém menos que o mestre John Buscema. Exemplos: Conan vê sua imagem refletida na água em “O vale da morte eterna” (ESCOR 12, página 8, 3o quadro); Big John só esqueceu que as imagens refletidas ficam invertidas... E por que, do nada, Conan está descalço em “O Tesouro de Tranicos” (ESC 90, página 7, 4o quadro), se em todos os demais quadros ele aparece com sua inconfundível bota de pirata? Buscema deve ter se embananado, pois também estava desenhando pictos seminus que perseguiam o Cimério. E o pior é que o artefinalista meteu tinta em cima. Ou não percebeu também, ou ficou sem coragem de corrigir o grande mestre.
E não pára por aí: já que estamos falando de pés, lembremos “Bárbaros na Fronteira” (ESC 100). Durante toda a história Buscema desenha Conan no estilo clássico, com as botas do Capitão América. No fim, Conan aparece de sandálias. O motivo? Certamente para combinar melhor com o famoso trecho das Crônicas da Nemédia, citado no desfecho da aventura, onde há a expressão “sob suas sandálias”(um dos raríssimos momentos em que este trecho não foi censurado pela Abril – vejam aqui no Portal Crônicas uma matéria que mostra uma resposta da Mythos que cita este fato). Eu considero um erro, mesmo que com boas intenções. Pra finalizar, como esquecer a transmutação da foice de Imhotep, o Devastador de Mundos, entre as ESCs 111 e 112? Acho que caberia uma explicação...
Todo leitor atento conhece pelo menos um erro gritante nas artes das aventuras. Mas é isso que, muitas vezes, torna a leitura mais interessante. E não prejudica em nada.